sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Fundações nacionais deverão «alimentar» o novo Museu de Faro

As fundações Calouste Gulbenkian, Serralves e Berardo podem vir a ser parceiras privilegiadas do futuro Museu de Arte Contemporânea de Faro.
A Câmara da capital algarvia já está a desenvolver contactos com estas entidades e espera, com a sua colaboração e com acordos com coleccionadores privados, conseguir criar no Algarve «um museu de dimensão internacional». Segundo revelou ao «barlavento» o presidente da Câmara de Faro José Apolinário, o museu, cujo projecto de arquitectura foi recentemente aprovado em reunião de Câmara de Faro e o que nosso jornal divulga em primeira mão, deverá vir a ser gerido, também ele, por uma fundação. A data desejada para a abertura do espaço cultural é o dia «7 de Setembro de 2011».

O ponto de partida para o projecto arquitectónico agora elaborado pela empresa Hartmann+Cid foi o estudo prévio para recuperação e transformação da antiga Fábrica da Cerveja Portugália, na Vila-Adentro da capital algarvia, que já havia sido encomendado pela Câmara na altura em que Luís Coelho ainda era o presidente da autarquia. Como se pode ler na descrição do projecto de arquitectura, a que o «barlavento» teve acesso em primeira mão, no espaço museológico propriamente dito não serão «subdivididas as salas de exposição segundo a designação clássica de Permanentes ou Temporárias». Algo que está ligado à própria filosofia do museu, que se baseará, em grande parte, em colecções de «instituições congéneres».

A área museológica vai ocupar o piso zero e 2. O piso 1 será dedicado a armazenagem e logística. No rés-do-chão, além de uma recepção com diversas valências, destaque para a designada «Sala de Exposição Especial», que ocupará a torre de 16 metros de altura ali existente. Esta será uma das três salas de exposição deste piso. Nos pisos 2 e 3, «no corpo adossado à muralha Noroeste, ficarão instalados, respectivamente, «o Serviço educativo e os Serviços Administrativos». O piso 2 contará ainda com quatro salas de exposição.
A opção pela criação de uma Fundação para gerir estas valências, em detrimento de uma empresa municipal, «está intimamente ligada à experiência do Teatro Municipal». «Estamos a analisar os prós e contras de criar uma Fundação. Queremos criar uma estrutura que permita ter uma gestão financeira autónoma. A nossa experiência leva-nos a apontar para a instituição de estruturas autónomas, que possam beneficiar do mecenato social», revelou José Apolinário.À luz da nova lei das Finanças Locais, as empresas municipais não podem recorrer a financiamento através da Lei do Mecenato. Uma situação que já foi denunciada há muito pelo presidente do Conselho de Administração do Teatro Municipal de Faro e que tem dificultado a vida aos gestores deste espaço cultural. Além de garantir a possibilidade de recorrer a mecenas, que poderiam contribuir com verbas para a gestão cultural e programação do espaço, a autarquia está já a mover-se noutros campos, desta feita para garantir a qualidade das obras em exposição. «Temos vindo a trabalhar com as Fundações Gulbenkian, Serralves e Berardo». «Nós temos algumas colecções. Mas pretendemos trazer colecções de itinerância. Já pedimos a colaboração destas entidades», contou o autarca. Quanto à possibilidade de o futuro Museu de Arte Contemporânea de Faro vir a contar com colecções privadas, José Apolinário considera essa hipótese, mas prefere não se adiantar. «Isso faz parte do programa museológico, que está agora a ser elaborado. Será ele que vai proceder ao desenvolvimento do trabalho do museu. Todavia, haverá espaço para exposições individuais», revelou.

Entretanto, a Câmara de Faro já incluiu esta obra nas Grandes Opções do Plano para 2009. Até 2011, caso queira cumprir o objectivo de abrir o espaço ao público no dia da Cidade de Faro desse ano, terá de conseguir garantir os quatro milhões de euros que se estimam necessários para recuperar a velhinha Fábrica da Cerveja e transformá-la num moderno museu. «Já apresentámos o projecto ao ministro da Cultura e à Comissária Europeia para a Política Regional, que o viram com muito bons olhos. Também temos tido o apoio de figuras de topo da área cultural. Ainda ontem [domingo] a doutora Raquel Henriques expressou na televisão a defesa do museu», disse.

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