quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Hospital Central de Faro... A crise das Urgências mantém-se!

O Hospital de Faro pretende deixar de ter doentes em macas nos corredores em 2010, mas para já há pacientes nessa situação três e quatro dias seguidos, embora o prazo máximo definido no Serviço de Observação seja de 72 horas.

"Os médicos não dão conta disto, porque é muita gente acumulada nos corredores. São muitas dezenas", desabafou Corália Tadeu, que tem o marido no Serviço de Observação (SO), numa maca no corredor, desde domingo à noite."Está ali [nos corredores do novo espaço das Urgências] perto de uma centena de pessoas em macas. As pessoas são bem atendidas, o problema é estarem acumuladas nos corredores", reforça, por seu turno, Ideme Conceição, que veio visitar o cunhado ao hospital, que espera numa maca por um internamento desde domingo transacto.A directora da Urgência de Faro, Dagoberta Lima, explica que é "normal os doentes estarem em macas três ou quatro dias no Serviço de Observação". Contudo, recorda que é suposto estarem no máximo entre "36 a 72 horas de permanência" no SO.

A directora clínica do Hospital de Faro, Helena Gomes, confirmou, por seu turno, que as urgências vivem momentos de afluência de "muitos idosos" e "muitos doentes que precisam de ficar no hospital". Além disso, "houve dois fins-de-semana prolongados em que a actividade do Serviço ficou condicionada, porque as saídas para o internamento ficaram dificultadas com os atrasos nas altas médicas", explicou.No entanto, a médica e directora clínica frisou que não lhe foi reportado pelas equipas do balcão nenhuma situação de "anormalidade" ou de "stress acrescido" nos dias de 'picos' de afluência de utentes. Helena Gomes recusa a palavra "caos" para definir o Serviço de Observação e Urgências - que abriu este mês - daquela unidade hospitalar e classifica de "normal" o afluxo de doentes nesta altura do ano, com médias de 200 utentes por dia. Na sexta-feira transacta, dia 05, o Hospital de Faro recebeu 254 utentes, um dia antes tinha recebido 248 utentes e no dia 09, terça-feira, registaram-se 246 utentes."Eu não vejo caos sinceramente. Claro que há momentos e há horas do dia em que o afluxo é maior, mas isso não vejo que seja caos", defende Helena Gomes

Em declarações à Lusa, um dos médicos do Hospital de Faro disse, terça-feira, que as urgências estão "em período de ruptura" e que chegam a estar 70 macas nos corredores do novo espaço de Urgências. Helena Gomes, por seu turno, frisa que os serviços de urgências têm de estar preparados para "responder a afluxos maiores", mas também admitiu, que alguns médicos tenham feito 72 horas de banco de urgências em apenas uma semana, quando a lei prevê um máximo de 12 horas."Não queremos que os nossos médicos façam 72 horas de banco. Eu não sei, se pontualmente, alguém fez nalgum momento 72 horas por semana. Admito que sim", disse.

A solução para enfrentar os momentos mais críticos em afluência nas urgências passa agora por recrutar médicos das outras especialidades do próprio Hospital de Faro."Na semana passada já tivemos médicos de outras especialidades que não Medicina Interna", observou Helena Gomes.O plano de requalificação do Hospital Central de Faro vai até 2010, mas até meados de 2009 a direcção do hospital prevê ter resolvido a parte da área dos recursos humanos."Isso é o nosso projecto, espero que o consigamos concretizar", disse a directora clínica, advertindo, no entanto, que não pode garantir para já que em Junho ou Julho de 2010 já tenha as equipas formadas.O novo serviço de urgências do Hospital de Faro começou a funcionar este mês, mas em Novembro abriu para ensaios de novos métodos de trabalho e ajustes das equipas médicas às novas instalações.

A 02 de Novembro de 2007, 19 dos 20 chefes de equipa da área médica do Hospital de Faro apresentaram a demissão em bloco como forma de protesto contra a sobrelotação das urgências e das condições a que estavam sujeitos os doentes. Os médicos continuam demissionários e ainda não houve renomeação da parte da administração do Hospital Central de Faro, mas, segundo Helena Gomes, essa situação vai ser resolvida "em breve".

O texto é bem explicito quanto à situação que se vive no Hospital Central de Faro, e não é a Sr.ª Ministra da Saúde, Dr.ª Ana Jorge que nos vêm desmentir um facto que constactamos a cada dia que visitamos aquele espaço. Eu próprio no último ano me tive que dirigir duas vezes às Urgências do HCF para ser atendido devido a situações de ligeira/média gravidade e da última vez, no passado dia 6 de Novembro, pude comprovar mais uma vez a fragilidade do serviço que nos é prestado. Posso vos dizer que dei entrada no espaço às 18h45, sendo me feita a triagem logo de seguida... Até aí tudo bem.
Ser-me-ia atribuida uma senha verde, dado o entorse que padecia na altura e que na verdade não justificava uma atenção especial face a situações muito mais graves que os clínicos estavam a receber nesse dia. Mas a dita senha verde, correspondia, pelos vários paíneis informativos colocados na sala, a um tempo estimado de espera na ordem dos 120 minutos (2 horas), pelo que apesar de não poder andar e de não saber na altura se tinha alguma fissura no pé, (situação que obrigaria a outro tipo de tratamento), aguardei pacientemente até às 21h30, percebendo que o meu caso não seria urgente mas no mínimo digno de atenção por parte dos clínicos, por forma a despistar qualquer problema com o pé. Constactando que o período estava já ultrapassado largamente e não tendo qualquer sinal do atendimento, pedi para um familiar para perguntar se havia a expectativa de ser atendido brevemente. Pura e simplesmente me foi respondido que o médicos não estavam a atender senhas verdes e que não fariam qualquer previsão de quando o poderiam fazer. Deram me uma hipótese remota de entrar "à sucapa" dentro das urgências e me "assomar" à sala, pedidno para ser atentido a um dos médicos. Com muita dificuldade, fiz o que me foi sugerido mas rapidamente me foi dada resposta negativa. Passado este "filme" todo, eram já 22h15 e desiludido decidi voltar para casa, sobre minha responsabilidade, mas consciente de que se algo não estivesse bem no pé, poderia agravar a situação. Tudo isto porque o nosso Serviço Nacional de Saúde funciona mal e neste caso o Serviço de Urgências não foge à regra. Portanto, quando a Sr.ª Ministra desmente estas notícias, e nós temos a percepção que quase todos os dias as coisas se passam da forma como vos decrevi, pergunto se o funcionamento do HCF não é um caos? Isto para não falar do aspecto tenebroso dos corredores do hospital onde largas dezenas de pessoas são depositadas em macas e gemem continuamente, deixando ainda mais doente, quem se desloca até ao espaço para ser tratado...

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