sábado, 10 de julho de 2010

Faro troca zona verde por área comercial em terreno do domínio municipal

Terreno à entrada de Faro foi palco das comemorações do 10 de Junho, este ano
Espaço que a câmara pretendia ceder ao Farense para uma bomba de gasolina pode dar lugar a uma zona comercial com hotel, restauração e posto de carregamento de carros eléctricos.

Uma faixa de terreno à entrada da cidade de Faro, no domínio público municipal, corre o risco de passar para as mãos de privados para dar lugar a mais uma área comercial. Moradores na zona reclamam "transparência" num processo que se iniciou para tentar salvar da falência o clube Sporting Farense.

A polémica gira em torno de uma área de cedência entregue à autarquia pelo promotor da urbanização Horta das Figuras, no âmbito da lei das compensações para fins públicos. O grupo cívico Tertúlia Farense promoveu anteontem um debate para "reflectir a cidade", numa altura em que se discutem novos planos de urbanização.

"Até que ponto se pode usurpar um espaço público?", questionou José Júlio Sardinheiro, professor universitário, residente na Horta das Figuras, depois de ouvir as explicações do presidente da associação de proprietários da Horta das Figuras, Luís Martins. O representante dos moradores revelou que está projectado para um terreno com 13 mil metros quadrados um edifício de dois pisos, em forma de "l", que contempla um estação para automóveis eléctricos, um stand, um hotel de 56 quartos (tipo motel), supermercado e zona de restauração.

Fernando Pessoa, arquitecto paisagista, lembrou que está em causa um "negócio de milhões" e que há décadas que não se faz "um jardim decente em Faro". O terreno em causa situa-se junto à área comercial Fórum Algarve - o local onde se realizaram este ano as comemorações do Dia de Portugal e das Comunidades. O arquitecto ironizou que, "por acaso", os arruamentos feitos para essa ocasião "coincidem" com o que se projecta construir.

"Pseudo-interesse público"

Luís Martins classificou a proposta que lhe foi apresentada pelo presidente da câmara, Macário Correia, como tratando-se de um "pseudo-interesse público". A zona verde, disse, "seria substituída por um stand de automóveis eléctricos e posto energético". Mas, por outro lado, o "esboço do projecto", facultado pelo município, permite concluir que haverá uma segunda fase onde se prevê "uma grande massa de construção e, dos 13 mil metros quadrados, restavam só dois mil para relvado".

O promotor da urbanização Horta das Figuras, Carlos Pinto, defendeu que o alvará estipula que o local se destina "a zona verde e equipamento público e é para isso que deve servir". Fernando Grade, artista plástico, lançou um olhar crítico sobre a cidade e constatou que, do ponto de vista urbanístico, só se "salva a zona histórica". O resto, sublinhou, "foi obra de um arquitecto chamado especulação imobiliária".

O líder da Tertúlia Farense, Fernando Correia, garantiu que o debate não se esgota nas opiniões expressas. "Vamos continuar a discutir e aprofundar o que é o interesse público". Luís Martins prometeu não desarmar, prosseguindo uma luta que trava desde há seis anos. "Queremos transparência no processo", reclamou.




Toda esta notícia estaria bem articulada, senão tivesse por base o debate ocorrido no Espaço C, na passada quinta feira, no qual a maior parte dos interlocutores no pseudo-debate eram moradores na urbanização da Horta das Figuras, interessados directos no projecto na zona.

Sabemos que a organização do debate havia convidado Macário Correia, mas este declinou o convite por decorrer um processo em Tribunal devido à questão da cedência do espaço ao Farense para a concessão de umas bombas de combustíveis, facto que imediatamente foi reclamado pela comissão de moradores da dita urbanização. Com isto, quero dizer que articular uma notícia, apenas e só com base numa reunião onde não esta consagrada a igualdade dos pontos de vista, não retrata fielmente o que se quer do espaço, trazendo para a opinião pública uma ideia sempre deteriorada sobre o assunto, e desta forma pressionando a CMF a deixar cair outros projectos, que não, só para construção de espaços verdes naquele espaço.


Admite-se que Faro não têm neste momento áreas verdes em proporção com o aglomerado de construção na cidade mas por certo não será no caso especifico do caso SC Farense uma mera estação de serviço que deixará em causa e criação do dito espaço verde, situação que é autênticamente trucidada pelos moradores na zona. Interessa a Faro ter espaços verdes, e há sítios já escolhidos que deveriam ser alvo dessa intervenção, mas por certo não será com radicalismos que Faro andará para frente, como têm sido o contrário nos últimos anos...

1 comentário:

Ferreira disse...

Muito bem SamM.
A tua opinião é correcta e retrata bem o que se está a passar.
Devias publicá-la na ADF onde o caso está a assumir contornos de interesse geral dos visitantes e Farenses, sendo certo que alguns apenas defendem a sua casinha...