sábado, 30 de abril de 2011

Morrer na praia: Depois do milagre, a realidade...



Precisamente à 11 meses atrás, o Estádio de São Luís era palco de uma tarde histórica, que terminou com a ascensão dos Leões de Faro à Segunda Divisão Nacional. Hoje a mobilização havia sido preparada mas a alegria não coloriu as bancadas do São Luís numa tarde que marca, muito provavelmente uma das etapas mais negras após regresso do Farense ao futebol sénior, em 2006.


Partindo para o jogo com a pseudo tranquilidade de, além de depender de si próprio para se manter, ter apenas a obrigação de empatar em casa com uma equipa que fazia uma série de resultados miserável, os algarvios morerram na praia, depois de uma recuperação pontual milagrosa, mas que foi condicionada no sprint final pelas pechas que a equipa sempre denotou, mas que durante largas semanas foram superadas pela empenho, inteligência e alguma sorte de João de Deus e seus pares.


Num relvado pesado, a equipa de Faro até entrou bem na partida criando logo a primeira chance de golo aos três minutos, após jogada individual de Justo na direita, com remate de Bruno Carvalho de cabeça à figura de Dani. Mas passados dez minutos já os forasteiros iam equilibrando a partida e somavam algumas oportunidades em lances de bola parada, enquanto o Farense procurava jogar rápido, mas muitas vezes era impedido de o fazer, fruto de muitas faltas a meio campo que quebravam o ritmo de jogo. No habitual 4x3x3 que João de Deus idealizou, Barão aparecia muitas vezes adiantado no terreno, obrigando o seu marcador directo a juntar-se à linha defensiva, situação que poderia ser aproveitado de uma forma mais eficaz pelos algarvios.


Contudo o golo algarvio surgiria à passagem da meia hora, acalmando as hostes farenses de alguma tensão e permitindo que a primeira parte terminasse em festa, sem que antes Bruno Carvalho obrigasse Dani a uma grande defesa na sequência de um livre directo na esquerda do ataque algarvio.


Veio a segunda parte, e a equipa de Reguengos, que na metade anterior, mesmo em desvantagem não demonstrava pressa em inverter a tendência, mudou radicalmente o posicionamento da equipa, colocando cinco flechas no ataque, obrigando o Farense a recuar. Já antes do golo do empate, havíamos visto o numero 25 alentejano falhar um golo de baliza aberta pronunciando males maiores para a defesa algarvia. E como um balde de água fria, o golo do empate surgiu após um penalty evitável de Joshua, quando segundos antes Bruno Carvalho obrigava Dani a uma defesa impressionante, depois de um remate potente do numero dez algarvio.


Após o empate o Farense não se desmoralizou e foi em busca do golo da vitória mas notava-se já em algumas unidades alguma quebra física, para além dos muitos cruzamentos não terem em Zambujo o finalizador desejável. Com o passar do tempo, o Reguengos foi se assenhorando do jogo, e refrescando a equipa, enquanto os farenses, já de si com menor compleição física e num terreno pesado, mantinham o onze base, que cada vez mais era incapaz de trocar a bola a meio campo. Embora sem criar lances de perigo e já com apenas dez jogadores, o Reguengos mostrava capacidade para marcar e foi o que fez quando Alberto, acabadinho de entrar, rompeu pela esquerda e marcou o golo decisivo. A desilusão e revolta invadiu as bancadas do São Luís, coma policia a ser obrigado a intervir junto à baliza do pavilhão, enquanto João de Deus mexia na equipa e lançava dois avançados para o recta final da partida, mas já muito tarde para inverter uma tendência anunciada à minutos atrás.


Em stress mental e físico, o Farense foi para cima do adversário, muitas vezes em desespero e ainda criou um lance de golo feito, marcando ainda outro em "suposto" fora de jogo, mas a tarde terminaria da pior forma com a descida dos algarvios à Terceira Divisão, fruto de descerem ao 12º lugar. Os 36 pontos averbados não foram suficientes para ser o melhor 12º classificado das três séries, ficando com o segundo melhor registo, em contraste com a equipa salva, o Ribeirão com 39 pontos.


Agora, resta primeiro que tudo agradecer aos jogadores e actual equipa técnica a recuperação efectuada neste segunda volta, a qual foi infrutífera, e ainda resolver os problemas burocráticos que impediram a constituição de uma equipa mais competitiva este ano. Só depois disso se poderá pensar no futuro, sabendo-se desde já que poucos serão os jogadores que continuarão ao serviço do Farense, dado o fim de ciclo hoje registado. As opções tomadas no passado, serão agora motivo de reflexão para que num futuro próximo o Farense possa reassumir com competitividade a sua ascensão no futebol nacional.


Até um dia.






2ª Divisão Nacional Série Sul - 30ª Jornada
Estádio S. Luís (Faro)
Assistência: 2800 espectadores
16 horas, 29/04/2011
Árbitro: Jorge Maia (AF Santarém)
FARENSE 1-2 ATLÉTICO REGUENGOS

(29 mn, por Bruno Carvalho, na conversão de uma grande penalidade a castigar uma "mão na bola" de um defesa contrário na face posterior do lado esquerdo da grande área. Chamado à conversão, Bruno Carvalho iludiu Dani e enviou a bola por alto, para a sua direita)
(55mn, por Barry, na convesrão de uma grande penalidade, fruto de uma falta de Joshua no mesmo local da penalidade anterior)
(79mn, por Alberto, que partiu embalado da meia esquerda ultrapassando defesas algarvios, e posicionando-se no interior da área rematou rasteiro, sem hipóteses para Serrão)

Farense: Serrão; Caniggia, Mamadou, Tiago Sousa, Joshua; Bilro (Bruno, 85 mn), Luís Afonso, Barão (Adérito, 80mn); Justo, Bruno Carvalho e Zambujo. Treinador: João de Deus

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