sábado, 31 de maio de 2008

Greve pára 1.300 barcos no Algarve

Redes ficaram ao sol - 30.05.08

A greve das pescas está a abranger todas as 1.300 embarcações algarvias e nenhum peixe foi vendido em lota, à excepção de 11 toneladas de marisco capturado antes da paralisação, disseram à Lusa fontes das associações de armadores.
Aquele pescado, capturado quarta e quinta-feira, foi descarregado pelas 35 embarcações que se dedicam ao marisco, em Tavira e Vila Real de Santo António, quinta-feira, ainda antes das 00:00."Como se tratava de marisco capturado antes da greve, autorizámos a sua venda esta manhã, na lota de Vila Real de Santo António", disse à Lusa o presidente da Associação dos Armadores de Pesca do Guadiana Rui Vairinhos.O dirigente associativo desmentiu o ministro da Agricultura, Jaime Silva, segundo o qual a frota da pesca longínqua continua a operar."A frota portuguesa está 100 por cento parada e o senhor ministro deve estar a referir-se a barcos que não são de nacionalidade portuguesa ou então a alguma frota que a gente desconhece", disse Rui Vairinhos.
No Algarve, a paralisação está a abranger os 1.300 barcos de todas as dimensões e os 2.500 pescadores de todas as categorias, desde o cerco ao arrasto, passando pela pesca artesanal, disseram à Lusa vários representantes do sector.Das três lotas existentes - Portimão, Vila Real de Santo António e Olhão -, só nesta última se registaram alguns problemas, quando cerca das 02:00 alguns comerciantes trouxeram peixe espanhol para um armazém contíguo às instalações de venda.Referindo que se tratava de peixe "de má qualidade", o presidente da Olhamar - Associação de Armadores do Sotavento, António da Branca, disse à Lusa que os armadores vão decidir esta tarde, em reunião, a eventual colocação de piquetes no local, para evitar a repetição deste tipo de acções.
António da Branca confirmou que recebeu hoje um telefonema do secretário de Estado das Pescas, cujo conteúdo se escusou a revelar, mas admitiu que poderá discutir o assunto nas próximas horas com associações de armadores de outras zonas do País. Por seu turno, um dirigente da Associação dos Armadores de Pesca do Barlavento Algarvio, Carlos Silva, confirmou à Lusa que nenhuma embarcação se fez ao mar depois da meia-noite e adiantou que não se registaram quaisquer incidentes.Cerca de 70 por cento das 1.300 embarcações algarvias são dedicadas à captura artesanal e de pequena dimensão e trabalham a gasolina, combustível que, ao contrário do gasóleo, não tem qualquer apoio por parte do Estado.

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