quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Faltam médicos no Algarve

Os recursos humanos do sistema de saúde do Algarve estão a crescer a um ritmo inferior ao aumento da população, o que, em particular no Verão, provoca congestionamentos nas várias unidades.
Ao CM chegaram nas últimas semanas várias queixas de residentes e turistas por demora no atendimento."Em 2005, estavam inscritas 420 mil pessoas nos centros de saúde e agora temos 500 mil. A população cresce a um ritmo muito superior ao do número de médicos e não estamos a incluir os turistas", constata Rui Lourenço, presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve. Ainda assim, aquele responsável faz um balanço "positivo" ao que já vai decorrido do Verão. "Atendendo aos condicionalismos existentes e aos recursos disponíveis, as coisas estão a correr bem."Nos últimos meses, os centros de saúde passaram a adoptar o sistema de triagem de Manchester, deixando de atender por ordem de chegada. "A alteração provocou alguma confusão nos utentes, em particular nos residentes, mas está a traduzir-se em vantagens, mais acentuadas a médio e a longo prazo, com o sistema afinado." A isto, em particular em Albufeira, junta-se a circunstância de 10 mil dos 40 mil residentes não terem médico de família por falta de clínicos. "Acabam por recorrer muitas vezes ao Serviço de Atendimento Permanente por dificuldades na retaguarda", explica Rui Lourenço.
Utentes desagradados
"Sou natural e residente em Albufeira e já estou habituado a longas esperas no centro de saúde...", queixa-se Ricardo Silva, de 35 anos, a quem tinha sido atribuída uma pulseira amarela. "Aguardo há cerca de três horas e não sei quando me atenderão. Estes problemas vivem-se todo o ano e não apenas no Verão, mas nesta época do ano dão uma péssima imagem do concelho, que vive do turismo. Se quiser marcar uma consulta, espera dois ou três meses." Não menos desagradado estava José Reis Martinho, residente em Lisboa. "Já lá vão mais de duas horas e o meu filho ainda não foi chamado." Sílvia Ramalho foi com a mãe ao centro de saúde na sexta-feira para aplicar uma injecção, mas "disseram-me que teria de esperar muito tempo e preferi recorrer a um particular."
Estão em curso obras nas Urgências dos hospitais do Barlavento (Portimão) e de Faro, que devem ficar concluídas até ao final do Verão. Os trabalhos "vão permitir um serviço mais humanizado e de melhor qualidade", diz Pedro Quaresma, director clínico da unidade de Portimão, que promete "acabar com as macas nos corredores", a partir de Outubro.Em Portimão, a resposta no Verão "tem sido boa: há mais dez a vinte doentes por dia, comparativamente a 2007, mas estamos mais bem organizados."
Em Faro, registaram-se mais cem doentes em Julho do que em 2007 e o hospital garante que não há falta de meios humanos. O Hospital Central do Algarve, a construir no parque das cidades vai resolver boa parte dos problemas actuais. O equipamento terá 574 camas de internamento, custará 267 milhões de euros e abre em 2013. Destinada a descongestionar as Urgências, esta consulta foi implementada em 2006 e estende-se este ano a seis centros de saúde, mais um do que no ano passado. O concelho de Albufeira é o mais crítico no período do Verão: a população, devido ao turismo, cresce de 40 mil para 300 mil habitantes.
In AlgarvePress

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