segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Demolições e realojamentos na Praia de Faro podem começar em 2011


Não será ainda a grande intervenção de renaturalização do Polis da Ria Formosa, mas Macário Correia admitiu avançar para demolições pontuais na parte central da Praia de Faro, para que se faça o reforço do cordão dunar.

A demolição da casas na Praia de Faro e o realojamento de pessoas que têm a primeira habitação em zonas a renaturalizar poderá avançar já em 2011, ainda que apenas em casos pontuais, nomeadamente quando a sua destruição se justifique para reforçar o cordão dunar.

A Sociedade Polis e a Câmara de Faro anunciaram, no passado domingo, que os planos para a Ilha deverão estar concluídos e disponíveis para consulta pública até final do ano.

No ano que vem, já é certo o avanço de alguns projetos, nomeadamente o reforço do cordão dunar em certas zonas e a redefinição do traçado da estrada que atravessa a Ilha, afastando-a da linha de costa em alguns pontos, de modo a evitar que seja galgada pelo mar.

Valentina Calixto, presidente da estrutura que gere o Polis da Ria Formosa, e o presidente da câmara de Faro Macário Correia estiveram no Centro Náutico da Praia de Faro no dia 10, para fazer um ponto da situação resultante do mau tempo que se fez sentir e provocou galgamentos do mar neste zona balnear.

Na mesma ocasião, foi feito o balanço dos trabalhos do Polis para o local.

«Podemos, no decurso de 2011, avançar para algumas intervenções, que podem passar por realojar pessoas de primeira habitação, eventualmente aliviar algumas construções na crista da duna, para criar condições de maior segurança e que podem levar ao realinhamento da própria estrada», disse Macário Correia.

Esta última intervenção, cuja urgência é defendida pelo autarca farense, evitará que «se tenha de tirar areia da estrada, de doze em doze horas, sempre que a maré está mais alta e há mau tempo». Uma ação que «traz enormes custos» à autarquia e obriga a manter máquinas em permanência neste local.

Quanto à grande intervenção de renaturalização prevista no Polis para a Península do Ancão, que prevê a demolição de centenas de casas, ainda não tem data anunciada. O plano para a parte Poente e Nascente será apresentado no decurso do ano que vem, mas as obras em si não devem começar em 2011.

Como revelou Valentina Calixto, o levantamento das habitações existentes nas zonas pertencente ao domínio público marítimo, situadas nas pontas Poente e Nascente da Praia de Faro, ainda continua. «Neste momento, já foram identificadas mais de 50 casas de primeira ou única habitação», num universo «de perto de 400 casas».

Estes casos terão um tratamento diferenciado por parte das autoridades, que se comprometem a arranjar uma habitação alternativa. «Ainda não há decisão quanto ao local. Há pessoas que querem ficar na ilha ou perto dela, mas outras que não se importam de ir para Faro, já que a sua atividade profissional não está ligada à Ria Formosa», ilustrou a mesma responsável.

O Plano de Pormenor que enquadrará a intervenção na parte central da Praia de Faro, já desafetada do Domínio Público Marítimo e sob a alçada da autarquia, está mais avançado. Será este plano que enquadrará as intervenções que Macário Correia prevê que possam avançar já no ano que vem.

O autarca revelou que a Câmara de Faro está a trabalhar em conjunto com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, «para definir a condição exata da cirurgia que se vai ter de fazer aqui».

«Durante o princípio do ano, seguramente estaremos em condições de aprovar o plano para a parte central e dispor dos estudos de engenharia relativos à intervenção global», avançou.

Até que esta intervenção esteja concluída, situações como a que foi vivida no passado fim de semana, com a água e areia a ultrapassarem os muros e a invadir a estrada, «voltarão, seguramente, a acontecer».

«Se ocorrer alguma situação de emergência e alguma casa caia durante o Inverno, a Câmara Municipal assegura o realojamento imediato dessas pessoas», garantiu Macário Correia.


por Hugo Rodrigues In Barlavento Online


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