domingo, 30 de maio de 2010

12º jogador leva Farense ao colo em jogo de nervos...




Quando entrei no Estádio São Luís, pouco passava das 16h30, não queria acreditar no que estava a ver... As bancadas das sombras estavam já esgotadas e o movimento em torno do Estádio São Luís, indiciava uma enchente memorável.


De facto, mesmo com entradas à borla, só um grande clube é que movimentas massas desta natureza, e se o Farense hoje não tivesse subido, só a presença de público seria já uma vitória para todos os que têm regenerado o Farense nesta nova fase, mas também para todos os que desde o Distrital nunca deixaram o Clube da capital algarvia sozinho, sendo evidente que a cidade hoje respondeu "SIM" à chamada direccionada ao coração, e demonstrou o que é ser Farense. Em presença volumosa e que não há memória desde os tempos da Liga Sagres, extravazando uma paixão incontida, e justificando de sobre maneira o porquê do título deste post... Porque num jogo de nervos, foi decisiva a acção do público na entrega dos três pontos aos Leões de Faro!


Apesar de o Farense estar obrigado a vencer e ao Cova da Piedade bastar um empate, o jogo até começou repartido, parecendo que o "Cova" estava em Faro com intenção de não se remeter à defesa. Apesar das dificuldades, a equipa da margem sul estava bem organizada, e tinha homens na frente muito rápidos, que por algumas vezes criaram autênticos calafrios à defensiva algarvia. Numa primeira fase o jogo foi equilibrado, saltando na retina a intenção de Joaquim Mendes em colocar Ró-Ró à frente da defesa, como box-to-box, nalgumas ocasiões fazendo uso da sua rapidez para imprimir mais intensidade às transições da equipa. Embora com muitos passes transviados o Farense foi assumindo o comando da partida, registando-se o primeiro remate perigoso, na sequência duma tabela entre Alvarinho e Norberto na esquerda, cruzando para Bruno, que de cabeça enviou a bola para as mão de Osvaldo, aos 30 minutos de jogo.


Notava-se as indicações de Joaquim Mendes em proporcionar mobilidade aos homens mais leves da frente para baralhar as marcações contrárias, sobressaindo mais uma vez a aplicação de Norberto e os raídes de Alvarinho, mas sem grandes consequências para a baliza contrária, não obstante alguns lances na área, onde num deles se reclamou mesmo grande penalidade.


Até ao fim do primeiro tempo, destaque para duas perdidas clamorosas do Cova de Piedade, realçando um contra ataque venenoso entre Nuno Dias e Tiago Meira, em desmarcações cruzadas, no qual Nuno Dias, perante Edgar, falhou o golo, graças a uma intervenção corajosa do habitual suplente de Gonçalo, seguindo-se outra jogada em que a bola beijou mesmo o poste direito da baliza sul, na sequência duma jogada em que a passividade da defesa algarvia poderia ter deitado por terra as ambições da equipa. E chegávamos ao intervalo com a sensação de que a sorte que havia sido madrasta em muitos jogos, poderia ser compensada neste jogo decisivo, em que o Farense dominava a partida, mas pertencia ao adversário directo as melhores ocasiões.


Na segunda parte, o Farense continuou a carregar no acelerador, algumas vezes atabalhoadamente, mas sempre com muita garra e intensidade, embora a toada de jogo fosse cada vez mais quebrada pelo anti-jogo do adversário. Com uma hora de jogo queimada, era tempo de lançar Pintassilgo para o lugar de Pablo, e curiosamente, passados três minutos e duma substituição no Cova da Piedade em que o jogador adversário gozou literalmente com os adeptos farenses ao retardar a saída de jogo, Bruno daria o mote para a explosão nas bancadas.


Com o golo no papo, foi tempo de solidificar o meio campo e permitir a troca entre o debilitado Ró-Ró e Luís Lopes para reforçar a defesa e estancar o perigo do Cova da Piedade que por duas ou três vezes esteve perto do empate. Mas, num jogo tão intenso, os próprios jogadores adversários foram perdendo as estribeiras e com o decorrer do mesmo alimentaram quezílias desnecessárias que os desconcentraram e permitiram investidas perigosas dos algarvios, que terminaram a partida em superioridade numérica, fruto da expulsão de Adimar, numa jogada em que Pintassilgo se isolava.


O jogo foi se encaminhando para o fim e a ansiedade era cada vez maior nas bancadas, mas o apito final após 95 minutos de jogo, serviu de alívio, descompressão e festejos pelos adeptos algarvios que comemoraram a vitória com os jogadores no relvado e seguiram em cortejo por diversas artérias na cidade. Amanhã, pelas 19horas a equipa e todo o Staff serão recebidos nos Paços do Concelho pelo Presidente da Câmara Macário Correia como reconhecimento da autarquia pelo feito histórico conquistado, e que se espera seja a continuação duma caminhada iniciada à quatro anos, e que só terminará com a promoção à Liga Sagres!



3ª Divisão Série F - 10ª Jornada da Fase Final
Estádio S. Luís (Faro)
Assistência: 8000 espectadores
17 horas, 30/05/2010
Árbitro: João Constantino (Beja)

FARENSE 1-0 COVA DA PIEDADE


(63 mn, por Bruno, aproveitando uma segunda vaga de ataque na sequencia de um canto, Ró-Ró tira a bola da trajectória do guarda redes endereça para Bruno que, na pequena têm tempo para a dominar a fazer o golo com o pé direito)

Farense: Edgar; Pablo (Pintassilgo, 60 mn), Arlindo, Idalécio, Caniggia; Ró-Ró (Luís Lopes, 73 mn), Luís Afonso, Alemão; Norberto, Alvarinho e Bruno. Treinador: Joaquim Mendes

3 comentários:

Anónimo disse...

na bancada do sol estava muita gente que nao e de faro mas foi apoiar o farense no meu caso de olhao viva ao algarve

nuno disse...

Ó Sam,eu que tenho acompanhado o Farense desde sempre,incluindo na fase do abismo,já passei por muitas emoções.Podia falar na final da taça,na ida à UEFA,etc.,mas foi nos regionais e na terceira divisão que eu mais me emocionei.Ontem foi o culminar destas emoções.Quando as equipas entraram e começou a tocar o nosso hino,entoado por toda aquela gente,cuja maior parte deles nunca os tinha visto na bola,mas que que o sabiam de cor,confesso que me veio as lágrimas aos olhos(literalmente).Infelizmente sei, que para o ano,a maior parte deles vão voltar a ficar em casa,a aguardar por nova festa,mas pode ser que alguns tenham ficado com o "bichinho".Enfim,vamos ver.Para já subimos mais um degrau,rumo à primeira.

SamM disse...

Ao ler os vossos comentários, assumo que também eu já passei por essas experiências. Numa região tão afastada do Poder Central, senão estivermos unidos, pouco conseguiremos e eu também testemunho de pessoas minhas conhecidas de Olhão que, sendo sócios do Olhanense, foram inclusive a Monte Gordo na semana passada e ontem repetiram a dose...

E que dose!

Confesso que me emocionei, quando percebi que estavam a fechar os portões porque não cabia mais gente... São pequenas coisas, que significam muito!

E o resto é comum a todos nós Farenses!

Força Farense!