segunda-feira, 17 de maio de 2010

Elidérico Viegas: Incerteza no tráfego aéreo é "pistola apontada à cabeça dos hoteleiros" algarvios

O presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, considerou hoje que a incerteza provocada nos transportes aéreos pela nuvem de cinzas vulcânica é "uma pistola apontada à cabeça dos hoteleiros".

"Num ano já de si muito complicado em termos de taxas médias de ocupação, com descida muito significativa relativamente ao pior ano dos últimos 15, que foi o ano passado, (esta situação) deixa os hoteleiros à beira de um ataque de nervos perante esta pistola permanentemente apontada à cabeça", afirmou Elidérico Viegas, em declarações à Lusa.

O presidente do Turismo do Algarve Nuno Aires também disse à Lusa que a situação está a afetar "toda a operação turística" e, se persistir, irá provocar "sérios problemas e danos graves sob o ponto de vista económico para o Algarve enquanto melhor destino turístico português".

"Até ao meio-dia [de hoje] foram cancelados 26 voos para Faro. São notícias preocupantes porque não temos um horizonte temporal para o fim do problema, que tem sido intermitente mas recorrente, o que nos está a prejudicar a operação", afirmou Nuno Aires, frisando que a incerteza na realização de voos "provoca ansiedade e insegurança" nas pessoas.

Sobre os prejuízos económicos para a região, Nuno Aires garantiu que o Turismo do Algarve continua a acompanhar e a avaliar as perdas, "mas para já, para além do levantamento que foi feito numa primeira fase, que rondou entre os 9 e 9,5 milhões, nove milhões e meio de prejuízos" para a região, "não existe ainda um número exato"

"É um fenómeno natural que não controlamos. Resta-nos esperar que problema não entre pelo verão dentro, porque se isso acontecer estamos a falar de um problema muito, muito complexo, muito grave, para a indústria hoteleira, mas não só, para toda a indústria de turismo do Algarve", frisou.

O responsável da AHETA considerou, por seu turno, que "a grande preocupação" dos hoteleiros algarvio aquando da primeira crise provocada por toda a Europa pela nuvem de cinzas libertada pelo vulcão da Islândia era a de "esta situação se manter intermitentemente ao longo da época turística".

"Além dos transtornos normais, causa a desmotivação das pessoas em vir de férias, por não saberem, primeiro, se podem vir e, depois, se podem regressar", acrescentou.

Viegas sublinhou que "a grande maioria de voos que o aeroporto de Faro acolhe são provenientes ou para os primeiros países afetados, que são o Reino Unido e Irlanda".

A nuvem vulcânica proveniente da Islândia voltou hoje a provocar o cancelamento de mais de duas dezenas de voos no aeroporto de Faro devido ao encerramento de várias estruturas aeroportuárias no Reino Unido.

No início da semana passada, o aeroporto de Faro também teve que encerrar devido à nuvem vulcânica ter atingido o espaço aéreo português, isto depois de, em abril, quase toda a Europa ter ficado sem voos devido a impossibilidade de realizar voos nessas condições.

In Barlavento Online


Como se já não bastasse a crise nos mercados internacionais, e também alguma desraticulação do produto "Algarve" em competição com outras alternativas turísticas, agora é o vulcão islandês a depauperar ainda mais o sector mais importante da economia. Como dizia o meu pai, "Quanto mais magro está o cão, mais carraças lhe pegam"...

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