quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Solidariedade com os trabalhadores da Bela Olhão

Na sequência do encerramento da Fábrica Bela Olhão, recebemos um comunicado com a posição política do Bloco de Esquerda de Faro e Olhão acerca da situação, o qual vos apresentamos. Cumpre informar que o blog Algarve Farense não têm qualquer conotação política nem intenções dessa génese, sendo os seus comentários no sentido independente e de caracter editorial. Neste caso apenas está a corresponder a uma solicitação do BE, que como qualquer força política da Região pode também usufruir deste espaço para divulgação das suas tomadas de posição sobre matérias de interesse regional, permitindo ao leitor uma melhor compreensão e conhecimento sobre questões do interesse público.


No passado dia 12 de Novembro, uma delegação do Bloco de Esquerda do Algarve deslocou-se à fábrica Bela Olhão, onde contactou com elementos da Comissão de Trabalhadores e outras colegas presentes nesse turno da vigília que todos vêm efectuando desde o início do mês.

O Bloco prestou a sua solidariedade com a luta em curso para defesa dos postos de trabalho e pela manutenção da fábrica em funcionamento. Manifestou também a disponibilidade para o apoio que os trabalhadores julguem oportuno solicitar.

Regista-se a coragem e o elevado moral que todos revelam, traduzido na participação generalizada nos piquetes que, 24 sobre 24 horas, se mantêm em vigília permanente, desde que, no dia 3 de Novembro, a grande maioria dos trabalhadores recebeu a carta de despedimento. São jovens mulheres e homens, grávidas, mães de família, colegas já idosos, todos se revezam para garantir que nenhum equipamento da fábrica é retirado. Porque esse é o bem mais precioso para assegurarem uma solução que prejudique o menos possível os trabalhadores: ou a mais desejada, que será a continuação da fábrica a laborar com o actual ou com novo dono; ou, na pior das hipóteses, o seu fecho mas com indemnizações acrescidas aos trabalhadores e a efectiva garantia de subsídios de desemprego e colocação rápida em outros empregos.

Só intenções obscuras e a falta de vontade, impedirão que a fábrica continue a laborar. Os trabalhadores consideram que a baixa de produção não justifica o encerramento. A produção tem sido quase exclusivamente para exportação. A fábrica não tem dívidas à banca, nem a fornecedores. As instalações são grandes e modernas, o equipamento também, podendo ser ou não, reconvertido. E desde que sejam corrigidos erros e opções de gestão que anteriormente prejudicaram a empresa. É esse o sentimento geral.

Muitos aspectos permanecem por esclarecer: porque foi feita a reconversão e apenas para o fabrico de comida para animais domésticos, quando, na época, o mercado das conservas de sardinha não estava em crise? No entanto, no sítio da Net, aparentemente actualizado e sediado em Boston, continuam as encomendas para conservas de peixe com o mesmo logotipo e exportadas de Portugal para os EUA? Também na Net, a frota pesqueira Blue Galleon afirma transportar para vários destinos, conservas de sardinha e de atum Bela Olhão. Mas pescados onde? A partir de que fábrica? São questões pouco claras que levantam dúvidas sobre que outras intenções poderão estar por detrás do fecho da fábrica.
Curiosamente, durante a visita da delegação do BE, elementos da Administração encontravam-se junto da porta de entrada da fábrica, mas esquivaram-se assim que o Bloco procurou chegar à fala com eles.

Entretanto, a CT tem acompanhado as deligências que várias entidades estão a fazer: a Câmara na busca de encontrar um comprador; a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) que verificou irregularidades do processo de despedimento e instaurou contra-ordenações à empresa; em paralelo, o sindicato e os trabalhadores com os seus próprios advogados estão também a accionar acções judiciais contra a empresa.
As vigílias vão continuar dia e noite até que a situação se esclareça definitivamente. Nesse sentido há um grande esforço para que se mantenha a unidade entre todos, o que tem sido conseguido até à data. É essa a vontade da esmagadora maioria dos trabalhadores, embora saibam como a sua luta é difícil.

Por isso é tão importante a solidariedade para com eles. A solidariedade de familiares e amigos, dos colegas doutras empresas, das entidades laborais. Do poder local e do poder central exige-se rapidez e eficácia na prestação dos direitos judiciais e sociais.
Mas isso é pouco. Se há dinheiro e se aprovam à pressa leis para salvar a banca e os seus donos, é escandaloso que não existam medidas preventivas e seriamente punitivas das situações como a que agora acontece com a Bela Olhão e com os seus 179 trabalhadores despedidos.

15/11/08
O Bloco de Esquerda de Olhão e Faro

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