sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Caso Queiróz e a sucessão


Pouco tenho escrito sobre a problemática em torno da liderança da Nossa Selecção, porque nas ultimas semanas temos sido bombardeados por inúmeras noticias, opiniões e relatos que se vão contradizendo constantemente. Consubstanciando a minha opinião apenas em factores desportivos e nalguns que são do domínio publico, e de constatação geral, creio que a saída de Carlos Queiróz do comando técnico da Selecção Nacional era um dado mais que previsível e que se justifica em face de da forma como geriu a equipa nacional, muitas vezes conseguindo os objectivos, mas à custa de formas, metódos e maneiras de agir que entristecem, e que de uma maneira geral não podem ser admissiveis numa pessoa com as responsabilidades de Carlos Queiróz.



Carlos Queiróz havia sido contratado após o Euro 2008, para substituir Scolari, em fuga para Londres, e desta forma orientar, preparar e levar Portugal a uma prestação digna no Mundial 2010, ao mesmo tempo que lhe era oferecido um contrato de quatro anos, obedecendo a uma politica de aposta na Formação, esquecida pela FPF... Passados mais de dois anos, e olhando para resultados nos A's admito que terminar o Mundial entre as 16 melhores selecções, sendo eliminado pela equipa campeã, não será um resultado mau. Mas ao contrário de muitos que ainda defendem Queiróz, não nos podemos esquecer da forma como nos apurámos e de como se destruiu a todos os níveis o espírito de união no balneário e também no coração dos portugueses.

De um apuramento num grupo sem nenhum dos grandes papões do futebol europeu, conseguimos in-extremis o apuramento com um registo de 5V-4E-1D, tendo a felicidade de jogar no play off contra uma das equipas mais fáceis. Mas pior que os resultados foram as exibições descoloridas e o sub rendimento de algumas unidades chave, como Cristiano Ronaldo ou Deco... Curiosamente, essa falta de liderança e de argúcia para motivar e saber tirar o melhor destes jogadores teria o seu clímax em pleno Mundial com os contornos que se conhecem. Pelo meio não me esqueço dos atropelos e indefinições na política de recrutamento de jogadores excluindo da mesma jogadores como João Moutinho ou Carlos Martins e outros com marca "Scolari", apostando em jogadores sem provas dadas ou habilitando Liedson, em clara posição à politica de formação que era defendida. Desacatos com a comunicação social existiram, o caso ADOP também o desgastou, mas no meu entender foi mesmo a incapacidade de liderança e a inabilidade técnica para treinar uma selecção que ditaram o fim de ciclo, numa equipa que chega a esta fase sem qualquer sistema de jogo assimilado, dada postura contra natura imposta por Carlos Queiróz à equipa...

Das equipas jovens, pouco ou nada viu evoluir e desta forma, Queiróz acaba por sair da Federação sem o sentido de dever cumprido, não pondo em causa as suas capacidades como formador, mas por certo traído pelo cargo que lhe ofereceram e que mais uma vez demonstrou não ter capacidade, à semelhança de outras experiências no passado.

Agora que o lugar está vazio, creio que a solução deveria passar por uma liderança técnica bi-partida nos quadros de futebol da FPF, entregando o cargo de Director Técnico a uma pessoa com capacidades de treinador e formador, encaixando que nesse lugar uma pessoa como Paulo Bento, que organizaria todas as selecções jovens até aos sub-21, acautelando com tempo, e desta forma as necessidades da Selecção A. Quanto ao Seleccionador A, acima de tudo, terá que ser um motivador nato, líder e conhecedor do nosso futebol no terreno e a todos os níveis por forma a não ser traído como outros foram no passado. Nomes há muitos, mas poucos com essas características...

Mas isto se enquadraria se a FPF levasse a cabo uma revolução nos escalões de formação e na admissão de estrangeiros no nosso futebol. O modelo Inglês, em que o "estrangeiro" só é admitido após uma licença de trabalho atestando o seu valor, devia ser implementado em Portugal e desta forma promoveria uma maior aposta dos nossos jovens nos escalões profissionais em detrimento de estrangeiros de qualidade duvidosa. Ao contrário do que a FPF defendia, os quadros competitivos em Portugal não podem ser reduzidos sob pena de termos os nossos potenciais jovens internacionais sub-19 ou 20, acabados de sair dos juniores a jogar em distritais. Ao invés a aposta em equipas B ou noutro formato que dê ritmo a estes jovens deviam ser implementado, limitando também o acesso de estrangeiros nos escalões de juniores e juvenis, como se verificam nas equipas da Madeira e nos grandes do nosso futebol.

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